Como “matar” um professor - Gilberto Dimenstein
Dimenstain quase sempre nos mostra em seus artigos experiências úteis, feitas muitas vezes por pessoas comuns e que acabam por dar certo contribuindo com a educação. Neste texto, também foi muito feliz por abordar os vários lados da questão e não somente culpabilizar o professor.
“Há uma série de pesquisas mostrando o enorme estresse a que é submetido um professor, especialmente de escola pública, traduzindo-se em vários tipos de doenças, como ansiedade ou depressão. Ao perder o encanto de ensinar, ele estará, enquanto profissional, morto, esperando a aposentadoria.
Todos falam em inúmeros fatores por trás desta “morte”: classes superlotadas, falta de estrutura das escolas, pais desinteressados, alunos violentos, poucos estímulos para premiar o mérito etc. Há, porém, um fator pouquíssimo comentado -e, na minha opinião, é dos piores porque se associa ao mau desempenho nas notas e favorece comportamentos violentos.
Tenho recebido uma série de estudos que revelam a altíssima incidência, nas escolas públicas, de doenças e distúrbios psicológicos em estudantes. Falamos aqui em no mínimo 30% dos alunos, alguns dos quais simplesmente não enxergam ou ouvem direito. Só a dislexia pode estar atingindo 15%. Temos na sala de aula um desfile de enfermos sem cuidados apropriados.
Isso significa que os governos deveriam ajudar as escolas a enfrentar problemas que não podem ser resolvidos pelos professores, a começar pela saúde chegando até a assistência social; filhos de famílias desestruturadas tendem a ter problemas em sala de aula. Exige-se, assim, um olhar mais sofisticado diante da educação.
Como esse olhar não existe e cada repartição do governo trabalha isoladamente, o professor acaba vítima de tensões que vão muito além da sala de aula. Esse é um dos fatores que explicam o enorme absenteísmo e rápida rotatividade em escolas públicas tanto de estudantes como dos professores.
Nessa “morte” do professor, a maior vítima, claro, é o lado mais frágil –o aluno, acusado de ser culpado por não aprender. E, aí, quem “morre” é o aluno, que passa a não ter interesse pelo conhecimento.”
PS - No site www.dimenstein.com.br há mais dados sobre educação e saúde.
Origem: FolhaOnline
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7 Comentários »
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mcfa disse,
7 de Junho de 2007 @ 14:12
Acho que é o contrário, tudo é um reflexo. Infelizmente, está cada vez mais difícil trabalhar com os professores, é obvio que nem todos, mas a maioria. hoje em dia, estão visando mais os valores materiais do que outros valores: respeito, carinho, amor, dedicação, etc…
JESSICA NEIDE DOS SANTOS DOURADO disse,
6 de Março de 2008 @ 17:40
GILBERTO DIMENSTAIN FOI UM AUTOR QUE ESCREVEU VARIOS LIVROS ELE FEZ UM LIVRO DE COMO MATAR UM PROFESSOR,EU GOSTEI MUITO ELE PERGUNTOU SOBRE O QUE O ALUNO ACHA DOS PROFESSORES.BEM MUITOS ALUNOS ACHAM QUE A EDUCACAO VEM DOS PROFESSORES,SEM ELES NAO HAVIA ORGANIZACAO.POR ISSO ESTAO MAS SE PREUCUPANDO COM SI MESMO,E NAO COM O FUTURO DO SEU ALUNOE DA SUA COMPARTILHACAO DA EDUCACAO DO FUTURO DO SEU PAIS.SE ISSO FOR FEITO COM DETERMINACAO, RESPEITO,CARINHO E PACIENCIA,ISSO VAI MELHORA A VISAO QUE TEMOS SOBRE OS PROFESSORES EM GERAL.
cristina hansen terra de souza disse,
14 de Março de 2008 @ 10:42
Prezadas Gilberto:
Cheguei á conclusão de que exercemos, enquanto consumidores, o mero mero papel de condutores de lixo ambiental que destrói o planeta. É preciso conscientização desde cedo sobre este assunto, desde a crianças até donas de casa.
Sim, porque na comida que comemos, nos produtos para limpeza da casa, nos combustíveis e principalmente nos medicamentos e hormônios que consumimos, está a presença constante de multinacionais, as maiores causadoras da destruição ambiental do planeta.
Já pensou? Ao tomar meus remédios, alimentar minha família, lavar minha louça e roupas, estou poluindo o planeta com os dejetos dos detergentes, xampús e demais subprodutos químicos e poluentes que as múltis adicionam ao sabão. Jogo poluição pelo ralo todos os dias sem querer fazer isso!!!
Eu só queria cuidar da família e da casa, não destruir o meu planeta!!!! É preciso que todos nós fazemos isto sem querer diariamente, por causa dos produtos que consumimos.
Cristina Hansen Terra de Souza
crishts@uol.com.br
Maria Rita Cotillo Pazini disse,
6 de Abril de 2008 @ 21:34
Estamos diante de um problema muito difícil, que é a “crise educacional”. Muitos querem opinar, culpam hora o sistema, ora os alunos desmotivados, ora a família desestruturada e, por fim culpam o professor.
Na verdade, estamos vivenciando, além do descaso com a educação pública ,por parte dos governantes,também,as famílias deixaram a educação de seus filhos sob a responsabilidade das escolas.Dessa maneira, fica muito difícil ensinar o conteúdo necessário.
Realmente, cai sobre os professores muitas responsabilidades e quando a secretaria da educação de São Paulo diz que precisa melhorar a qualidade da educação, joga novamente, uma proposta curricular para que os professores as cumpram. É ASSIM que funciona, ninguém assumi as reponsabilidades dos erros cometidos pela “política educacional” equivicada e arrogante que é.
Dessa forma não se CHEGAR A LUGAR ALGUM. ficaremos parados, ou melhor atrasados em relaçõ a outros países desenvolvidos e até mesmo, aquém de nossos hermanos argentinos e uruguaios.
É necessário que cada um e, todos nós façamos a parte que nos cabem, cumprindo os deveres de cidadãos que assumimos PERANTE A PROFISSÃO QUE ABRAÇAMOS, sem com isso cair no desleixo e descaso com os alunos, pois eles não têm culpa da política educacional vigente no país. Aliás eles são as “vitimas” dela.
CONCLUINDO, É HORA DE ABRAÇAR A CAUSA. AVANTE PROFESSORES. DIAS MELHORES VIRÃO E QUEM SABE ATÉ, É POSSÍVEL ENXERGAR UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL
adriana disse,
17 de Maio de 2008 @ 21:59
Ouvi um programa seu na CBN a respeito da escola da vila e queria mais detalhes do que tem sido feito por lá,pois me interesso em participar de um curso citado por você em um programa da rádio acima citada.Desde já agradeço sua contribuição efetiva à educação desse país .Adriana
adriana disse,
17 de Maio de 2008 @ 22:03
olá,boa noite,quero agradecer sua enorme contribuiçãoà educação desse país .Ouvindo um comentário seu na CBN
Janilto disse,
3 de Junho de 2008 @ 20:49
Sobre o artigo “Como matar um professor”, considero curioso o fato de serem as causas de tal “morte” conhecidas, porém, o tratamento ou a prevenção não são prioridades. O professorado pede socorro por se sentir sem acesso às condições ao bom desempenho de sua atividade. Mutio se tem feito, mas solução não foi encontrada. Enquanto isso, as licenças saúdes continuam sendo um bom refúgio..