Para refletir…
“Brincar não é perder tempo, é ganhá-lo.
É triste ter meninos sem escola,
mas mais triste é vê-los enfileirados em salas sem ar,
com exercícios estéreis,
sem valor para a formação humana”
Carlos Drummond de Andrade
É realmente muito triste. Observem a fisionomia das crianças, sua postura e expressões. Parece mesmo que estão engaioladas.
Para que?
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Cintia Rodrigues Torres disse,
5 de Março de 2008 @ 12:53
Uma criança se apropria do saber quando está brincando, esses momentos lúdicos são fundamentais para o desenvolvimento cognivo, psicomotor e social da criança, é experimentando que elabora questões (perguntas e respostas) e se desenvolve. Hoje as escolas estão voltadas para os conteúdos programáticos, com o pouco tempo que têm para vencer todas as etapas; o livro pedagógico tornou-se a peça mais importante do momento de aprender. Tenho observado em meu consultório que as crianças que chegam, geralmente encaminhadas pela escola, estão extressadas, deprimidas, com a auto estima rebaixada, acreditando que não são capazes de aprender. Quando vamos até a escola para uma reunião onde deveríamos discutir meios de ajudar essa criança a encontrar seu prazer em aprender, devolver-lhe a auto estima; geralmente a primeira pergunta que nos é feita está´relacionada ao livro pedagógico, o conteúdo a ser trabalhado, prazos… É triste quando temos que dizer a um educador que naquele momento a medida mais acertiva não é o conteúdo a ser estudado mas, sim o resgate daquela criança que ficou para tráz. As escolas exploram muito pouco desses momentos lúdicos, momentos de descoberta. As crianças estão vivendo num mundo onde o relógio fala mais alto, onde o tempo é precioso, elas se sentem precionadas, se cobram e são cobradas pela escola, pais, familiares, amigos… Não têm tempo para brincar, correr na rua, pular corda, pular carniça, jogar bete, queimada, subir em árvores… brincadeiras infantís que tanto nos ensinaram. Hoje as crianças estão na escola em determinado período do dia e no outro fazem curso de informática, inglês, kumom… A família acredita que dessa forma estão ajudando no processo de aquisição do conhecimento mas, se esquecem que antes de qualquer coisa, são crianças e precisam viver como crianças, precisam brincar, sonhar, experimentar coisas novas. Penso que as escolas deveriam abrir espaço para trabalhar os conteúdos de forma mais lúdica, prazeirosa buscando resgatar o prazer de se permanecer no ambiente escolar, de ler um livro, escrever uma redação, enfim, estudar.
Diretoria do CRE disse,
6 de Março de 2008 @ 15:28
Cintia:
Concordo plenamente. Creio que não só a familia, como também a escola estão retirando uma parte da infância destas crianças. Regatar o prazer… como você disse, e não hábitos. Estudar nem sempre precisa ser uma tortura.
Obrigada por seu comentário bastante lúcido.