Arquivo de 23 de Julho de 2006

Deixe-me Pensar!

Método de construção da inteligência é usado com excelentes resultados por escolas brasileiras.

Você precisa prestar mais atenção às aulas! O conselho, quase automático, de professores e de pais serve tanto para um boletim repleto de notas baixas quanto para um pequeno erro na lição de casa de uma criança. O problema, no entanto, pode estar na comunicação. A começar pelo tom acusatório. Prestar atenção é observar atentamente. Mas será que essa criança foi ensinada a observar? Está motivada para isso? A responsabilidade pelo mau desempenho poderia ao menos ser dividida. Isso evitaria o que o psicólogo e educador romeno Reuven Feuerstein chama de “dedo em riste”, ou seja, a visão de que a falha está na criança. Especialista em desenvolvimento infantil e criador da teoria da Experiência da Aprendizagem Mediada, Feuerstein vem há 40 anos ensinando as pessoas a ser inteligentes. Para ele, não existe limitação da inteligência nem de aprendizagem e a idéia de que a falha está na criança só contribui para destruição de sua auto-estima e, mais terrível, pode determinar uma historia de fracassos consecutivos e o desgosto pelos estudos. A teoria de “construção da inteligência”, muito difundida e usada em escolas de outros países, ainda engatinha no Brasil. Mas as experiências aqui, ainda que isoladas, apontam para o sucesso. A partir do final do mês pais e educadores pioneiros nessa área poderão contar com uma boa ajuda na sua missão. Será lançado o livro Aprendizagem mediada dentro e fora da sala de aula, editado pelo Instituto Pieron de Psicologia Aplicada e pelo Senac.

Em São Paulo, o tradicional Colégio Arquidiocesano estuda a possibilidade de incluir no currículo o Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI). É o método aplicado por Feuerstein no Centro Internacional de Desenvolvimento de Aprendizagem, em Israel. Com ele, o educador romeno conseguiu elevar o nível de inteligência de crianças sobreviventes do holocausto. O método é centrado na figura do mediador, isto é, aquele que fornece informações extras (de tempo, de espaço e de valores) a um dado da realidade imediata, enriquecendo-o de novos significados. Esse mediador pode - e deve ser o pai ou o professor. O princípio de Feuerstein é o de que qualquer pessoa pode aprender qualquer coisa, contrariando até mesmo o determinismo genético. Tudo depende da interação entre o educador, o aprendiz e o objeto de estudo. No Arquidiocesano, por enquanto, pais e professores observam o progresso de um grupo de oito alunos de nove a quatorze anos que estão no projeto-piloto. “Além da melhora da auto-estima, as crianças se tornam mais atentas, menos impulsivas e ansiosas” diz o professor José Luís Dezordi, coordenador do curso. A aluna da oitava série Larissa Paina, 14 anos, diz que vivia no mundo da lua. Ela representou o seu progresso depois de um ano de curso com o desenho de uma centopéia.” Ela tem os pés no chão. Nas divisões do seu corpo estão as minhas conquistas”, diz Larissa. O lema de Feuerstein, ” um minuto, deixe-me pensar”, utilizado para controlar a ansiedade e a impulsividade também ajudou Talita da Silva 13 anos. Ela ilustrou o seu progresso com uma árvore. “Eu sou o tronco forte e os frutos são o resultado do meu empenho”, avalia.

Outro colégio paulistano preocupado em ensinar seus alunos a pensar é o Miguel de Cervantes, onde há um ano e meio o PEI é uma opção extracurricular. “Oferecemos o curso como forma de desenvolvimento de qualquer aluno”, afirma a diretora Amélia Salazar. Carolina Maciel, 13 anos, que está na sétima série, diz que, apesar de seus esforços, não conseguia um bom desempenho na escola. Com o curso, voltou a se animar. ” Aprendi a estudar e a me organizar. Até a bagunça no meu quarto melhorou. Também me expresso melhor” , conta. Mas a tão esperada nota boa não vem rapidamente, avisa o coordenador do curso no Arquidiocesano. E este talvez seja outro desafio, tão grande quanto desenvolver inteligências. Os professores têm de ensinar os alunos a pensar e a gostar de aprender em vez de valorizar o sucesso em provas e testes. Mesmo por que o segundo seria a conseqüência lógica do primeiro. “O professor está acostumado a uma forma autoritária de lidar com a criança e preocupado em cumprir o programa”, explica Dezordi. O PEI leva os professores de volta aos bancos escolares para se tornarem mediadores.

O desafio torna-se ainda maior quando se trata de criança com necessidades especiais. Na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (APAE), há muito entusiasmo pela teoria. “Começamos há dois anos com um grupo de seis e hoje temos 26 crianças no programa”, diz Leda de Oliveira, coordenadora do PEI no Centro de Habilitação. Mariana Cerbelheira, 14 anos e Ana Paula Martins, 13, são algumas da beneficiadas. Portadoras da síndrome de Down, elas melhoraram o raciocínio abstrato, ganharam autonomia e agilidade. “Já não preciso da mamãe para fazer a lição de casa”, conta, orgulhosa, Ana Paula. Mariana amadureceu. Chega a acalmar a irmã de 16 anos quando ela está muito agitada”, diz a mãe, Leonice Cerbelheira.

A importância da participação da família no desenvolvimento da criança é indiscutível, mas segundo Feuerstein, neste século os pais deixaram de lado a educação dos filhos, esperando que tudo venha da escola. Sem a transmissão de valores, a criança tem dificuldade em processar mentalmente estímulos, de relacionar fatos e estabelecer a importância entre eles. Deixa, portanto, de aprender com os erros do passado. O processo de mediação pode estar presente em qualquer situação do dia-a-dia. Numa viagem de férias, uma mãe estará mediando o aprendizado de seu filho ao juntar ao lazer algumas histórias sobre o local, ao chamar a atenção para a arquitetura ou o comportamento das pessoas. ” Os pais têm o direito e o dever de transmitir ensinamentos “, diz Feuerstein.

É desenvolvendo formas de interação e exercícios que se pode construir a inteligência. A fórmula de Feuerstein parece muito simples à primeira vista, mas centrada no processo de mediação, ela requer uma mudança completa de filosofia do ensinar e aprender. “Sem a aprendizagem mediada é difícil enfrentar uma sociedade em constante mudança”, afirma a psicopedagoga Edith Rubinstein, que possui em São Paulo um centro de treinamento autorizado, como o Instituto Pieron, a transformar educadores em mediadores. Num país onde apenas 40 de 100 crianças terminam o primeiro grau e numa era onde o saber se transforma a cada minuto, aprender a aprender parece mais que fundamental. Como diria Feuerstein, mais importante que conhecer é saber o que fazer com o conhecimento e estar pronto para aprender todos os dias.

Fonte:
MOARES, Rita. Deixe-me pensar: método de construção da inteligência é usado com excelentes resultados por escolas brasileiras. Revista Isto É, São Paulo, n. 1496, 3 jun. 1998. Educação. p. 88-90. Disponiblizado inicialmente na Biblioteca do SIAPE.

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Nesta semana atualizações no site

Pessoal

Até o final da semana o site será atualizado com excelentes artigos em várias áreas. Continuem a nos visitar.
Agradecemos a confiança!

Diretoras do CRE

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Sobre o artigo Psicopedagogia Institucional

Viviane escreveu:

Tem sido um tema que está sendo bastante discutido mas que nao fica claro qual tipo de atividades poderão ser trabalhados pelo psicopedagogo para que tenha resultados com o aluno. O que podemos utilizar como atividade de desnvolvimento? Enquanto a isso tenho dúvidas pois estou me formando nessa área, mas estou meio perdida.

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Referência ao artigo Caminho para a Disciplina

Alberico enviou o seguinte comentário:

Chega ser irritante como alguns educadores fazem tanto jogo de palavras e não tocam no fundo da ferida educacional.
Já que os pais, atualmente são incompetentes para mostrar os limites da civilidade aos filhos, cabe a escola cumprir tal papel.
Se os currículos estão saturados, cheios de abobrinhas pseudoeducacionais, corrija-os, sem conversa fiada.
Gostamos tanto de imitar os americanos, mas, nunca os imitamos no que eles têm de bom.
Porque as nossas escolas não hasteiam a bandeira brasileira. Está fora do modismo atual?!
Porque não se ensina aos estudantes a cantar o hino nacional?! Só somos brasileiros de quatro em quatro anos?!
Porque aceitar modismos ridículos que não melhora em nada a disciplina na escola? Na vida Real e corporativa, quer queira ou não os pseudopedagogos, que criam essa verborréia e fantasia pseudo-educacional para venderem livros inúteis aos incautos, os alunos despreparados para viver no mundo social civilizado terão que se enquadrar, se não quiserem ficar fora do mercado de trabalho, que não aceita modismos passageiros que têm como base a incivilidade e o desrespeito e desprezo pelo próximo. Tais Pseudopedagogos, cultores de dogmas educacionais só válidos para países civilizados, onde as leis são respeitadas por consciência ou coação, dificultam a visualização do real problema, ou encaramos a realidade da nossa incivilidade e o papel da escola para tentar reverter o quadro caótico, ou teremos que criar presídios de segurança máxima até para crianças, pois a barbárie será o futuro do Brasil.
Acreditar em transformar alunos sem educação doméstica, verdadeiros delinqüentes sociais, sem que os mesmos sofram punições disciplinares exemplares, é acreditar na fábula educacional de um filme intitulado “Ao mestre com carinho”.
Quem sabe a intenção é realmente destruir o convívio harmônico e levar nosso pais ao caos?

Vocês concordam? Registrem seus comentários!

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O que fazer com esses alunos?

Lisandro escreveu:

Gostei da matéria sou acadêmico de matemática e professor do ensino médio e tenho algumas duvidas de como avaliar alunos que os professores de séries anteriores (Ensino Fundamental) passam os alunos sem saber nada, nem o básico que é a tabuada. O que fazer?

Alguma ajuda?

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Alguém poderia ajudar? Nós não sabemos

No dia 13/07 Jugley fez o seguinte comentário:

Prezados senhores,

Tenho um filho especial, ele tem problemas do coração, já fez 03 cirurgias coração, inclusive uma com um dia de vida no Hospital Biocor em Belo Horizonte. Hoje graças a Deus ele tem 13 anos e toma remédios até hoje e ele está numa escola especial na minha cidade chamada Crer e Ser e eu gostaria de saber quais são os direitos que nós pais temos por termos filhos especiais, inclusive na compra de veículos.

Alguém poderia ajudar esse pai?
Aguardamos respostas. Vamos colaborar pessoal!

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O cenário da indisciplina

Denise, no dia 19 de julho fez o seguinte comentário:

Concordo plenamente com o artigo em questão. Porém que atitudes devem ser tomadas pelo professor perante a pressão que sofre da escola em relação a disciplina?? Tenho refletido muito sobre esta questão.

O que vocês acham? O professor sofre pressão da escola em relação à disciplina? Que tipo de pressão?

Aguardamos os comentários de nossos amigos/as professores/as!

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